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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Conto n° 3 - Vendaval



Vendaval

Foi um daqueles dias indistinguíveis, de emoções cruzadas e intensas,
em que o belo se confunde com os sentimentos manchados de dor.
Eu e ela saímos de carro, após um inesperado episódio ansioso meu.
Ela queria ajudar. E eu queria sumir.

Nos conhecemos há pouco tempo, uns dois meses.
Ela, uma mulher de ímpeto e vivacidade, capaz de encantar até o mais quieto ser vivente.
Eu, um cara imerso em poesia, música e na minha infernal ansiedade.
De algum modo, isso pareceu — e ainda parece — lindo.

Aos poucos, a conversa foi se abrindo num lugar de cuidado e atenção.
Ela tinha um jeito carinhoso de, pouco a pouco, me acalmar.
Eu, teimoso, não queria deixá-la confundir minha mente com amor.
Eventualmente chegamos ao litoral, onde, num morro alto e escuro, paramos o carro.

Na minha mente não havia espaço para qualquer carícia,
mas ouvir a voz dela foi quebrando o transe em que me encontrava.
De repente, junto aos ímpetos de tristeza, encontrei um sentimento diferente.
E, guiado pela voz dela, me deixei beijar.

O vento rugia poderoso, balançava o carro. Era uma noite incomum.
O fato de estarmos em um lugar tão alto impunha em nós um certo medo,
mas, durante o beijo, esse medo se misturava a algo novo, insano:
uma fagulha, uma faísca, um prenúncio de fogo.

De repente, uma peça de roupa já não estava mais no corpo dela,
e outra havia deixado o meu.
O beijo, intenso, começou a ganhar contornos de desejo.
E enquanto o medo do vento e de sermos descobertos perdia o sentido,
todo o resto ganhava um novo significado.

Ela nua me empurrou para o banco de trás e se sentou em mim.
Eu, ainda tentando me adaptar ao desconforto do carro, a penetrei.
Minhas mãos buscavam apoio em qualquer parte do automóvel
e, ao mesmo tempo, a seguravam firme, como se quisessem torná-la indivisível de mim.

O calor dentro do carro aumentava; os vidros, já embaçados pelo nosso suor.
Não havia mais controle: os movimentos simplesmente aconteciam.
Eu confundia o cheiro do nosso corpo enquanto sentia ela apertar meu pau com sua buceta.
E, num momento de coragem e fervor, saímos do carro, para o vento.

Quase não conseguíamos ficar de pé, tamanha a força da ventania.
A areia, impulsionada pelo ciclone, cegava nossos olhos;
as folhas das árvores se agitavam como em desespero.
E, nessa furiosa festa de Iansã, a penetrei por trás.
Nossos gritos de prazer passaram a se misturar ao rugido do vendaval.

O barulho era ensurdecedor.
O frio, intenso.
O orgasmo, inesquecível.

Atônitos com nosso feito, voltamos ao carro, exaustos e plenos.
Aos poucos, nos vestimos e decidimos voltar para casa.
No caminho, o vento continuava a desenhar formas nas árvores e na areia.
E, por um segundo, eu entendi tudo o que ela significaria a partir dali.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Conto nº2 - Sarah e a Perversão - (Por Anjo Fake)


Oito horas da manhã, Sarah dormia despreocupada. Os cabelos totalmente desalinhados cobriam-lhe a face. Aos poucos, a luz do dia a acordava, até que, de súbito, ela pulou da cama.

 - Nossa! Oito horas! Estou muito atrasada!

Sarah havia passado boa parte da noite em claro escrevendo no seu diário, que ela carinhosamente chamava de "Inferno".

Sarah nasceu em uma família absolutamente clássica, onde havia uma regra para cada atitude. Para seus pais, garotas de 18 anos ainda brincavam de boneca com as amigas. Mas ela não se importava, pois para ela era só mais um clichê desimportante. Na verdade... Ela até gostava, pois era uma garota muito contestadora. Ela tinha várias atitudes, das quais se orgulhava de saber que irritariam profundamente seus pais.

A primeira delas era o modo com que se vestia.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Conto n°1 - Amelie - (por Anjo Fake)


Ela ajeitou o cabelo e sentou-se no sofá. Nas suas mão uma pequena gaita, que ganhara de seu namorado a alguns meses. Ela havia se produzido lindamente. "e ele estava mais uma vez atrasado".

- É como se ele nem se importasse mais - pensou Amelie - É apenas mais um dia que ele tem que passar comigo.

De súbito, começou a chorar e atirou a gaita contra a parede. "É claro que estou sendo fraca, me deixando de lado por uma pessoa tão estúpida e egoísta...".
Ela então, decidiu que sairia mesmo assim, reforçou a maquiagem, despenteou o cabelo, assumiu a postura de mulher independente e saiu de casa. Assim que pôs os pés na rua, uma buzina conhecida atingiu seus ouvidos. Ela desviou seu caminho e adentrou o Palio preto.
 - atrasado como sempre - disse, sem se preocupar com o tom de voz. Ele, por sua vez, ignorou o ataque e dirigiu até um local familiar.  "o mesmo motel, a mesma transa, o mesmo desfecho".
Ela então começou a suar frio, sentia uma mistura de repúdio e nojo, daquele homem tão previsível e desinteressado. Finalmente, pediu a ele que parasse o carro, e ali mesmo tiveram a derradeira discussão.
Ela saiu enfurecida do carro e, com a mente conturbada, decidiu que, aquela noite, ela não deixaria de satisfazer sequer uma de suas vontades reprimidas.